Vasco vende SAF por mais de R$ 2 bi para Marcos Lamacchia

Postado 26 mar by Claudia França 0 Comentários

Vasco vende SAF por mais de R$ 2 bi para Marcos Lamacchia

A torcida vascaína respira outro ar nesta manhã. Após semanas de incerteza, Vasco da Gama fechou um acordo preliminar com o empresário Marcos Faria Lamacchia para a venda da sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O valor da transação ultrapassa os R$ 2 bilhões, uma soma que coloca o clube carioca em um patamar inédito na negociação recente de clubes brasileiros. As negociações foram concluídas nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, estabelecendo um marco financeiro crucial para a recuperação das finanças da instituição.

O novo dono não é qualquer pessoa. Lamacchia, de 47 anos, traz uma herança financeira robusta nas costas. Ele é filho de José Roberto Lamacchia, proprietário do banco Crefisa, e neto de Aloysio de Andrade Faria, o fundador do extinto Banco Real. Essa linhagem bancária promete estabilidade, algo escasso no cenário atual. Atualmente, ele divide seu tempo entre Aspen, nos Estados Unidos, e São Paulo, onde monitora a estrutura jurídica dos negócios.

A Estrutura do Acordo e Investimentos

O negócio é complexo, mas a divisão de poder está clara: o grupo Lamacchia assume 90% da SAF, enquanto o Vasco associado mantém os outros 10%. Isso garante que o coração democrático do clube continue pulando alto, mesmo sob gestão privada. Mas o ponto que mais chama atenção não é apenas quem compra, é o que se resolveu sobre as dívidas.

Lamacchia vai assumir todas as passividades existentes tanto do clube quanto da SAF. Isso inclui o acervo de dívidas legadas pela antiga controladora, 777 Partners. Curiosamente, o preço pago já abrange essa responsabilidade técnica conhecida como "cota de A-CAP". Além de limpar o balanço, o novo grupo se comprometeu a investir acima do mínimo exigido em áreas vitais:

  • Caso esportivo e contratações de atletas;
  • Infraestrutura do centro de treinamento (CT);
  • Gestão de fluxo de caixa e folha salarial;
  • Programas de modalidades olímpicas via leis de incentivo.

Tudo isso precisa passar pelo crivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Sem o "de acordo" desse órgão regulador, nada acontece. Representantes do comprador já buscaram os membros da agência para alinhar o modelo de negócios com as regras de Fair Play Financeiro.

O Cenário Atual e a Recuperção Judicial

Enquanto a venda avança, o time não pode parar de pagar contas no dia a dia. O Vasco começou 2026 com força total no plano de recuperação judicial. Até o final de março, o clube projetou ter quitado cerca de R$ 8 milhões em dívidas trabalhistas e civis. Outros R$ 10 milhões seguem direcionados para pagamentos coletivos junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF.

Pedrinho, presidente do Vasco e ex-jogador da equipe, manteve o sigilo durante as tratativas, mas demonstrou confiança. Em entrevista anterior às sedes da federação, ele indicava que esperava fechar a operação ainda neste ano. A sensação nos bastidores é que não haverá obstáculos insuperáveis para concluir a escritura definitiva.

Campos de Jogo e Retorno Esportivo

Campos de Jogo e Retorno Esportivo

Nem só de números vive o futebol. Com a iminente mudança administrativa, a equipe principal também mostra sinais de vida sob o comando de Renato Gaúcho. Nos últimos quatro jogos, foram três vitórias e um empate. A campanha atual acumula 11 pontos, colocados em nono lugar no campeonato brasileiro. Se a gestão financeira se estabilizar, a expectativa é que o orçamento permitira buscar elencos mais competitivos sem depender apenas de vendas emergências.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

O Vasco venderá 100% da SAF?

Não. O acordo prevê que a associação social do Vasco mantenha 10% das ações da SAF. O grupo investidor liderado por Lamacchia adquire 90% do controle econômico e administrativo, garantindo equilíbrio entre gestão profissional e identidade popular.

Qual será o impacto imediato nas dívidas do clube?

O comprador assumirá todas as responsabilidades financeiras pendentes da SAF e do clube. Isso deve permitir a normalização do pagamento de fornecedores e salários, além de acelerar o cumprimento do plano de recuperação judicial já em andamento desde o início de 2026.

Precisa haver aprovação oficial para a venda acontecer?

Sim. Além do acordo preliminar, a operação depende da aprovação da ANRESF para garantir conformidade financeira. Posteriormente, os conselhos deliberativos e beneméritos do Vasco devem validar a transação oficialmente antes da assinatura final.

Quem é Marcos Lamacchia e por que ele quer o Vasco?

Lamacchia é um empreendedor do setor financeiro com histórico familiar ligado ao mercado bancário (Crefisa e antigo Banco Real). O interesse parte da visão de longo prazo e da necessidade de profissionalização das estruturas do esporte brasileiro, alinhando paixão com governança corporativa.

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