A Amazon deu um passo decisivo na corrida espacial de internet ao lançar oficialmente seu serviço de conexão via satélite, o Amazon Leo — antes conhecido como Project Kuiper — em 24 de novembro de 2025. O anúncio, feito em plena noite de segunda-feira, marcou o início dos testes com empresas selecionadas como a Venu e a Hunt Energy Network. A novidade não é só técnica: é estratégica. A Amazon quer levar conexão de alta velocidade a lugares onde a fibra nunca chegou — e está disposta a gastar bilhões para conseguir.
Um investimento de US$ 10 bilhões para desafiar a Starlink
A Amazon investiu US$ 10 bilhões (cerca de R$ 26,45 bilhões) no desenvolvimento da rede Amazon Leo. A ideia é criar uma constelação de 3.236 satélites em Órbita Terrestre Baixa (LEO), a cerca de 630 quilômetros da Terra. Até agora, a empresa já colocou em órbita entre 153 e 200 satélites — um número que, embora impressionante, ainda é bem menor que os mais de 10.000 da Starlink, da SpaceX. O primeiro lote foi lançado em abril de 2025, e outro está programado para dezembro deste ano, a bordo do foguete Atlas V da United Launch Alliance.
Os planos são ambiciosos: oferecer três níveis de serviço. O Amazon Leo Nano, com uma antena de apenas 18 cm e velocidade de até 100 Mbps, é voltado para residências básicas. O Amazon Leo Pro, com até 400 Mbps, promete mobilidade e desempenho para profissionais itinerantes. Já o Amazon Leo Ultra chega a 1 Gbps — o mesmo que muitas redes de fibra óptica — e é direcionado a empresas, hospitais e escolas remotas. A tecnologia usa enlaces ópticos entre satélites e antenas de banda Ka, o que reduz a latência a níveis comparáveis aos da fibra. Isso não é um detalhe: é a diferença entre um vídeo carregando e um atendimento médico remoto funcionando sem atrasos.
Brasil será o primeiro grande mercado da América Latina
Na terça-feira, 25 de novembro, a Amazon confirmou que o Amazon Leo chegará ao Brasil em 2026 — e não será lançado por ela diretamente. A Sky, subsidiária do Grupo Werthein, será a responsável por comercializar o serviço no país. Gustavo Fonseca, presidente da Sky, anunciou em 13 de novembro, durante encontro com jornalistas em São Paulo, que os primeiros terminais serão instalados na região Sul, onde a infraestrutura terrestre é mais escassa e a demanda por conectividade é alta. "É essencial para promover a inclusão digital em comunidades urbanas e rurais", afirmou Fonseca. "Garantiremos comunicações estáveis para educação, saúde e comércio."
A estratégia da Sky é clara: usar sua rede logística já consolidada de instalação de antenas parabólicas para acelerar a adoção. O plano é expandir gradualmente para o Sudeste, Centro-Oeste e, depois, para o Norte e Nordeste — seguindo o ritmo de lançamentos da constelação. Na América Latina, a Directv Latin America, também do Grupo Werthein, levará o serviço à Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Os preços ainda não foram divulgados, mas a promessa é de que serão "acessíveis" — uma tentativa de não repetir o erro da Starlink, que no início foi vista como elitista.
Testes no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul
Antes do anúncio oficial, a Amazon já fez testes práticos no interior de São Paulo e no Mato Grosso do Sul, em meados de 2025. Os resultados mostraram que, mesmo em áreas sem cobertura de celular, o sistema conseguia manter conexões estáveis para videoconferência, transmissão de dados de sensores agrícolas e até acesso a plataformas da AWS. Isso é crucial: a integração com a nuvem da Amazon pode transformar o Leo em mais do que um serviço de internet — pode ser o novo nervo central da economia digital no campo.
Curiosamente, o projeto começou há sete anos — muito antes da pandemia, mas com a mesma visão: conectar o desconectado. Enquanto isso, a SpaceX, liderada por Elon Musk, já tem mais de uma década de experiência e uma base de usuários de mais de 3 milhões em todo o mundo. A Amazon não está começando do zero, mas está entrando num mercado dominado.
Jeff Bezos e a nova corrida espacial
A batalha entre Amazon e SpaceX não é só de tecnologia — é pessoal. Jeff Bezos, fundador da Amazon e dono da Blue Origin, tem buscado bater de frente com a SpaceX em todos os fronts. Em 13 de novembro de 2025, a Blue Origin conseguiu, pela primeira vez, recuperar o propulsor do New Glenn, seu foguete pesado. O feito, ainda modesto comparado ao Falcon 9 da SpaceX, é um sinal claro: Bezos quer competir não só em internet, mas em lançamentos espaciais. O jogo está aberto.
O que isso significa para o Brasil?
Se o Amazon Leo cumprir suas promessas, o impacto será profundo. Em cidades como Cascavel, Uruguaiana ou até mesmo em comunidades indígenas no Acre, a conexão de alta velocidade pode mudar o acesso à telemedicina, ao ensino remoto e ao comércio eletrônico. O governo brasileiro, que ainda luta para levar fibra a 20% das áreas rurais, pode ver no Leo uma solução rápida — mas também uma dependência tecnológica estrangeira. Ainda não há regulamentação específica para satélites comerciais no país. Quem vai garantir a privacidade dos dados? Quem fiscaliza a qualidade do serviço? Essas perguntas ainda não têm respostas.
Próximos passos
Em dezembro de 2025, com o novo lançamento do Atlas V, a Amazon deve aumentar sua constelação para mais de 250 satélites. Em 2026, a Sky começará a vender os terminais no Sul. Até 2028, a meta é cobrir toda a América Latina. Mas o verdadeiro teste será a confiabilidade: será que o serviço funciona em dias de chuva intensa? E se um satélite cair? A Amazon já tem protocolos, mas o mundo ainda não viu o Leo em condições reais por muito tempo. O que está em jogo não é só o mercado — é o futuro da conectividade no planeta.
Frequently Asked Questions
Como o Amazon Leo difere da Starlink?
O Amazon Leo tem uma constelação menor (200 satélites contra 10.000 da Starlink), mas foca em integração com a AWS e planos empresariais mais robustos, como o Ultra de 1 Gbps. A latência é comparável à fibra, e a antena é mais compacta. A Starlink tem mais usuários e cobertura global, mas o Leo promete preços mais acessíveis na América Latina.
Quando o Amazon Leo chegará ao meu bairro no Sul do Brasil?
A Sky planeja iniciar a comercialização no Sul em 2026, com foco em cidades como Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. A expansão para áreas rurais dependerá da disponibilidade de terminais e da construção de estações terrestres. A previsão é que comunidades remotas recebam o serviço entre 2027 e 2028.
O Amazon Leo vai substituir a internet por cabo ou fibra?
Não. O Leo é uma solução para áreas sem infraestrutura terrestre. Em cidades com fibra, a conexão por cabo ainda será mais barata e estável. O objetivo é complementar, não substituir — especialmente para escolas, postos de saúde e pequenos negócios em regiões isoladas.
Quais são os riscos de depender de uma empresa americana para internet no Brasil?
A dependência de tecnologia estrangeira pode limitar a soberania digital. Se a Amazon mudar políticas de preços, prioridades ou até suspender o serviço, o Brasil não terá controle. A ausência de regulamentação específica sobre satélites comerciais é um ponto fraco. É urgente que o governo discuta normas de segurança, dados e resiliência.
O Amazon Leo funcionará em áreas com muito calor ou chuva forte?
Sim, segundo a Sky, as antenas são projetadas para resistir a intempéries comuns na América Latina, incluindo chuvas torrenciais e temperaturas acima de 40°C. Testes no Mato Grosso do Sul mostraram desempenho estável mesmo em tempestades. Mas a conexão pode sofrer intermitências em dias extremos — como qualquer tecnologia via satélite.
O Amazon Leo vai integrar com a internet 5G no futuro?
A Amazon não anunciou integração direta com redes 5G, mas a tecnologia do Leo pode complementar torres 5G em áreas rurais, servindo como backhaul. Ou seja: o satélite pode levar o sinal até onde a fibra não chega, e daí a torre 5G distribui localmente. É uma sinergia possível, mas ainda não confirmada.
Eduardo Gusmão
Isso é um jogo de poder entre gigantes, mas o que importa é que o interior finalmente vai ter internet de verdade. Não adianta ter fibra em São Paulo se o meu avô no Mato Grosso não consegue fazer uma ligação de emergência. Espero que a Sky não cobre absurdo.
Thamyres Vasconcellos
É lamentável que o Brasil continue a depender de corporações estrangeiras para serviços essenciais. O governo, em vez de investir em infraestrutura nacional, prefere entregar o futuro digital a Jeff Bezos. Isso é colonialismo com antena parabólica.
Alexandre Oliveira
mano, isso aqui é o futuro mesmo, tipo, eu moro no interior de SP e a internet que eu tenho é pior que dial-up... se isso funcionar direito, eu vou chorar. não tô nem aí se é americano, tô aí se o meu filho consegue estudar sem ficar no mato com o celular na mão.
Joseph DiNapoli
Claro, claro... a Amazon vai salvar o mundo. Enquanto isso, a gente paga R$ 200 por 100MB no celular. Mas vamos acreditar que um satélite vai ser mais barato que a Vivo. 🙃
Leonardo Santos
Se o Leo for bom, tá tudo certo. Se for ruim, a gente vai dizer que era por causa da Sky. Mas pelo menos tá tendo competição. E isso já é um avanço. A Starlink tá com preço de luxo - se o Leo vier com preço de pão, aí sim a gente vira fanático.
Gisele Pinheiro
Isso aqui é uma bênção pra quem mora longe da cidade. Minha irmã mora numa fazenda e nunca teve internet boa. Se isso der certo, ela vai poder fazer curso, ver médico, tudo sem sair de casa. Deus abençoe quem fez isso.
Paulo Santos
Brasil não precisa de satélite americano. Precisa de engenheiros nacionais. Precisa de universidades. Precisa de soberania. Enquanto isso, vocês comemoram uma antena que vai ser montada por um funcionário da Sky. Isso é vitória? É derrota disfarçada de progresso.
Wesley Lima
Se o Leo for confiável em tempestade, aí sim é jogo novo. Mas já vi satélite cair no meio de chuva forte. Acho que a Amazon tá apostando alto. Se der certo, vai ser o melhor investimento da década. Se der errado, vamos ver o governo culpando o Brasil por não ter feito isso antes.
Joseph Spatara
Isso é o que o campo precisa! Já pensou uma escola no Acre com aula online sem travar? Um posto de saúde fazendo telemedicina sem cortar? Isso aqui é revolução. Não importa de onde vem, importa que chega.
Joseph Lacao-Lacao
A constelação de LEO representa uma epistemologia de conectividade descentralizada, deslocando a hegemonia da infraestrutura terrestre para uma arquitetura orbital. A Amazon, ao integrar o Leo à AWS, está reconfigurando a ontologia do acesso à informação no Global South. A questão não é tecnológica, mas geopolítica: quem detém os dados, detém o futuro.
Lucas lucas
Claro, claro, 1 Gbps via satélite. Isso é o mesmo que dizer que o seu iPhone 12 vai rodar o Cyberpunk 2077 no máximo. A latência não é igual à fibra, só a Amazon que diz que é. E 200 satélites contra 10 mil da Starlink? Isso é competição? É um esforço de marketing com nome bonito. A Sky vai vender isso como milagre e depois pedir R$ 800 por mês. E vocês vão pagar. Porque vocês acreditam em milagres.
Giovani Cruz
Essa ideia de conectar o desconectado é linda, tipo, não é só internet, é direito. Imagina uma comunidade indígena conseguindo vender artesanato online ou uma professora fazendo live com os alunos sem cair a conexão. Isso aqui é mais que tecnologia - é justiça social com antena. Se der certo, a gente vai lembrar disso como o começo de algo grande.
Mateus Marcos
É imprescindível que o governo brasileiro estabeleça, com urgência, um marco regulatório para operações de satélites comerciais em território nacional. A ausência de normas específicas expõe a soberania digital e compromete a segurança jurídica dos usuários. A privacidade dos dados deve ser garantida por legislação interna, não por acordos corporativos.
Leandro Moreira
eu acho que isso aqui pode mudar tudo mesmo... mas tem que ser feito com cuidado. não pode ser só pra quem pode pagar. e tem que ter alguém pra garantir que o serviço não some amanhã. a gente não pode ficar refém de uma empresa que tem sede lá fora. mas... se der certo, é um sonho.