Amazon lança Amazon Leo para concorrer com Starlink no Brasil e na América Latina

Postado 29 nov by Claudia França 2 Comentários

Amazon lança Amazon Leo para concorrer com Starlink no Brasil e na América Latina

A Amazon deu um passo decisivo na corrida espacial de internet ao lançar oficialmente seu serviço de conexão via satélite, o Amazon Leo — antes conhecido como Project Kuiper — em 24 de novembro de 2025. O anúncio, feito em plena noite de segunda-feira, marcou o início dos testes com empresas selecionadas como a Venu e a Hunt Energy Network. A novidade não é só técnica: é estratégica. A Amazon quer levar conexão de alta velocidade a lugares onde a fibra nunca chegou — e está disposta a gastar bilhões para conseguir.

Um investimento de US$ 10 bilhões para desafiar a Starlink

A Amazon investiu US$ 10 bilhões (cerca de R$ 26,45 bilhões) no desenvolvimento da rede Amazon Leo. A ideia é criar uma constelação de 3.236 satélites em Órbita Terrestre Baixa (LEO), a cerca de 630 quilômetros da Terra. Até agora, a empresa já colocou em órbita entre 153 e 200 satélites — um número que, embora impressionante, ainda é bem menor que os mais de 10.000 da Starlink, da SpaceX. O primeiro lote foi lançado em abril de 2025, e outro está programado para dezembro deste ano, a bordo do foguete Atlas V da United Launch Alliance.

Os planos são ambiciosos: oferecer três níveis de serviço. O Amazon Leo Nano, com uma antena de apenas 18 cm e velocidade de até 100 Mbps, é voltado para residências básicas. O Amazon Leo Pro, com até 400 Mbps, promete mobilidade e desempenho para profissionais itinerantes. Já o Amazon Leo Ultra chega a 1 Gbps — o mesmo que muitas redes de fibra óptica — e é direcionado a empresas, hospitais e escolas remotas. A tecnologia usa enlaces ópticos entre satélites e antenas de banda Ka, o que reduz a latência a níveis comparáveis aos da fibra. Isso não é um detalhe: é a diferença entre um vídeo carregando e um atendimento médico remoto funcionando sem atrasos.

Brasil será o primeiro grande mercado da América Latina

Na terça-feira, 25 de novembro, a Amazon confirmou que o Amazon Leo chegará ao Brasil em 2026 — e não será lançado por ela diretamente. A Sky, subsidiária do Grupo Werthein, será a responsável por comercializar o serviço no país. Gustavo Fonseca, presidente da Sky, anunciou em 13 de novembro, durante encontro com jornalistas em São Paulo, que os primeiros terminais serão instalados na região Sul, onde a infraestrutura terrestre é mais escassa e a demanda por conectividade é alta. "É essencial para promover a inclusão digital em comunidades urbanas e rurais", afirmou Fonseca. "Garantiremos comunicações estáveis para educação, saúde e comércio."

A estratégia da Sky é clara: usar sua rede logística já consolidada de instalação de antenas parabólicas para acelerar a adoção. O plano é expandir gradualmente para o Sudeste, Centro-Oeste e, depois, para o Norte e Nordeste — seguindo o ritmo de lançamentos da constelação. Na América Latina, a Directv Latin America, também do Grupo Werthein, levará o serviço à Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Os preços ainda não foram divulgados, mas a promessa é de que serão "acessíveis" — uma tentativa de não repetir o erro da Starlink, que no início foi vista como elitista.

Testes no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul

Antes do anúncio oficial, a Amazon já fez testes práticos no interior de São Paulo e no Mato Grosso do Sul, em meados de 2025. Os resultados mostraram que, mesmo em áreas sem cobertura de celular, o sistema conseguia manter conexões estáveis para videoconferência, transmissão de dados de sensores agrícolas e até acesso a plataformas da AWS. Isso é crucial: a integração com a nuvem da Amazon pode transformar o Leo em mais do que um serviço de internet — pode ser o novo nervo central da economia digital no campo.

Curiosamente, o projeto começou há sete anos — muito antes da pandemia, mas com a mesma visão: conectar o desconectado. Enquanto isso, a SpaceX, liderada por Elon Musk, já tem mais de uma década de experiência e uma base de usuários de mais de 3 milhões em todo o mundo. A Amazon não está começando do zero, mas está entrando num mercado dominado.

Jeff Bezos e a nova corrida espacial

A batalha entre Amazon e SpaceX não é só de tecnologia — é pessoal. Jeff Bezos, fundador da Amazon e dono da Blue Origin, tem buscado bater de frente com a SpaceX em todos os fronts. Em 13 de novembro de 2025, a Blue Origin conseguiu, pela primeira vez, recuperar o propulsor do New Glenn, seu foguete pesado. O feito, ainda modesto comparado ao Falcon 9 da SpaceX, é um sinal claro: Bezos quer competir não só em internet, mas em lançamentos espaciais. O jogo está aberto.

O que isso significa para o Brasil?

Se o Amazon Leo cumprir suas promessas, o impacto será profundo. Em cidades como Cascavel, Uruguaiana ou até mesmo em comunidades indígenas no Acre, a conexão de alta velocidade pode mudar o acesso à telemedicina, ao ensino remoto e ao comércio eletrônico. O governo brasileiro, que ainda luta para levar fibra a 20% das áreas rurais, pode ver no Leo uma solução rápida — mas também uma dependência tecnológica estrangeira. Ainda não há regulamentação específica para satélites comerciais no país. Quem vai garantir a privacidade dos dados? Quem fiscaliza a qualidade do serviço? Essas perguntas ainda não têm respostas.

Próximos passos

Em dezembro de 2025, com o novo lançamento do Atlas V, a Amazon deve aumentar sua constelação para mais de 250 satélites. Em 2026, a Sky começará a vender os terminais no Sul. Até 2028, a meta é cobrir toda a América Latina. Mas o verdadeiro teste será a confiabilidade: será que o serviço funciona em dias de chuva intensa? E se um satélite cair? A Amazon já tem protocolos, mas o mundo ainda não viu o Leo em condições reais por muito tempo. O que está em jogo não é só o mercado — é o futuro da conectividade no planeta.

Frequently Asked Questions

Como o Amazon Leo difere da Starlink?

O Amazon Leo tem uma constelação menor (200 satélites contra 10.000 da Starlink), mas foca em integração com a AWS e planos empresariais mais robustos, como o Ultra de 1 Gbps. A latência é comparável à fibra, e a antena é mais compacta. A Starlink tem mais usuários e cobertura global, mas o Leo promete preços mais acessíveis na América Latina.

Quando o Amazon Leo chegará ao meu bairro no Sul do Brasil?

A Sky planeja iniciar a comercialização no Sul em 2026, com foco em cidades como Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. A expansão para áreas rurais dependerá da disponibilidade de terminais e da construção de estações terrestres. A previsão é que comunidades remotas recebam o serviço entre 2027 e 2028.

O Amazon Leo vai substituir a internet por cabo ou fibra?

Não. O Leo é uma solução para áreas sem infraestrutura terrestre. Em cidades com fibra, a conexão por cabo ainda será mais barata e estável. O objetivo é complementar, não substituir — especialmente para escolas, postos de saúde e pequenos negócios em regiões isoladas.

Quais são os riscos de depender de uma empresa americana para internet no Brasil?

A dependência de tecnologia estrangeira pode limitar a soberania digital. Se a Amazon mudar políticas de preços, prioridades ou até suspender o serviço, o Brasil não terá controle. A ausência de regulamentação específica sobre satélites comerciais é um ponto fraco. É urgente que o governo discuta normas de segurança, dados e resiliência.

O Amazon Leo funcionará em áreas com muito calor ou chuva forte?

Sim, segundo a Sky, as antenas são projetadas para resistir a intempéries comuns na América Latina, incluindo chuvas torrenciais e temperaturas acima de 40°C. Testes no Mato Grosso do Sul mostraram desempenho estável mesmo em tempestades. Mas a conexão pode sofrer intermitências em dias extremos — como qualquer tecnologia via satélite.

O Amazon Leo vai integrar com a internet 5G no futuro?

A Amazon não anunciou integração direta com redes 5G, mas a tecnologia do Leo pode complementar torres 5G em áreas rurais, servindo como backhaul. Ou seja: o satélite pode levar o sinal até onde a fibra não chega, e daí a torre 5G distribui localmente. É uma sinergia possível, mas ainda não confirmada.

Comentários (2)
  • Eduardo Gusmão

    Eduardo Gusmão

    novembro 30, 2025 at 01:54

    Isso é um jogo de poder entre gigantes, mas o que importa é que o interior finalmente vai ter internet de verdade. Não adianta ter fibra em São Paulo se o meu avô no Mato Grosso não consegue fazer uma ligação de emergência. Espero que a Sky não cobre absurdo.

  • Thamyres Vasconcellos

    Thamyres Vasconcellos

    novembro 30, 2025 at 02:22

    É lamentável que o Brasil continue a depender de corporações estrangeiras para serviços essenciais. O governo, em vez de investir em infraestrutura nacional, prefere entregar o futuro digital a Jeff Bezos. Isso é colonialismo com antena parabólica.

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